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Os medievais acreditavam na astrologia?

09 de Abril de 2026

Armando Alexandre dos Santos

Armando Alexandre dos Santos

Os medievais acreditavam na astrologia?

A possibilidade de os astros exercerem alguma forma de influência física ou psicológica nos atos humanos era assunto que preocupava os pensadores medievais. Tal influência se lhes afigurava como decorrência forçosa do modo ordenado e hierárquico de Deus governar suas criaturas; já que os seres siderais estavam acima da terra e dos homens, à primeira vista parecia natural que de certo modo exercessem alguma ação sobre o mundo e seus habitantes; a questão estava em estabelecer o modo e os limites de tal ação, sobretudo considerando o livre arbítrio do ser humano – que nenhum filósofo cristão podia razoavelmente negar ou pôr em dúvida.

São Tomás de Aquino se estendeu sobre o assunto nas suas duas obras maiores. Na Summa contra gentiles, Livro 3, estudou se Deus governa os corpos inferiores mediante os corpos celestes (caps. 82 e 83); se os corpos celestes podem influir nos entendimentos humanos (cap. 84); se podem ser causa de nossas vontades e escolhas (cap. 85); se produzem efeitos corporais necessários nos corpos inferiores (cap. 86); e se o movimento dos corpos celestes não poderia ser causa de nossas escolhas por força de uma alma que os movesse (cap. 87); para depois concluir que somente Deus e nenhuma outra criatura pode ser causa direta de nossas escolhas e volições (cap. 88).

Na primeira parte da Summa Theologiae, questão 115, estudou genericamente se os corpos celestes são causa do que acontece nos corpos inferiores (art. 3); se eles podem ser causa dos atos humanos (art. 4); se podem influir sobre os próprios demônios (art. 5); e se podem impor necessidades às coisas submetidas à sua ação (art. 6); na I-IIae, questão 9, dedicou o art. 5 ao estudo se a vontade humana pode ser movida eficazmente por algum corpo celeste; e na II-IIae, questão 95, art. 5, indagou se a adivinhação pelos astros poderia ser lícita.

Com São Tomás, ensinam os moralistas católicos que é lícita a dedução de fenômenos naturais decorrentes materialmente da influência dos astros -- como por exemplo, prever o fluxo das marés ou a proximidade de tempestades pela observação dos céus, ou prever os resultados do plantio ou da poda de árvores conforme as fases da lua. Mas é ilícito supor que os astros tenham poder de dar “sorte” ou “azar” a alguém, ou que possam exercer uma influência determinante sobre a livre vontade do homem.

Sobre a astrologia e sua moralidade, ver: ROBERTI, Francesco; PALAZZINI, Pietro (orgs.). Dizionario di Teologia Morale, verbete “Astrologia”; e MOREUX, Abbé Th. Les influences astrales. Paris: G. Doin & Cie., 1942 (especialmente capítulo  L´Astrologie à travers les ages“, p. 5-40).

Também é moralmente ilícita a crença tão “moderninha” na influência dos signos e dos horóscopos. O engraçado é que ateus e descrentes se julgam espíritos superiores porque não acreditam na Revelação... mas muitas vezes são supersticiosos a ponto de mudarem o trajeto de uma viagem ou a agenda de seus compromissos diários porque leram no jornal ou ouviram no rádio o seu horóscopo!

 

NR: Este artigo foi escrito na ortografia original em uso no Brasil.

 

ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é licenciado em História e doutorado em Filosofia e Letras pela Universidade de Alicante (Espanha). É Professor de História Militar na Universidade do Sul de Santa Catarina, jornalista, escritor e membro da Academia Portuguesa da História e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

 

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