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Brasil copia modelo venezuelano: avançando até ao desastre

29 de Outubro de 2026

Valdis Grinsteins

Valdis Grinsteins

Brasil copia modelo venezuelano: avançando até ao desastre

            Acabam de se realizar eleições no Brasil e, para surpresa de muitos, a esquerda voltou a vencer, repetindo de forma absurdamente contraditória que é necessário «arrumar o país», coisa que ainda não conseguiu fazer em 20 anos de governo. Pelo contrário, tem empreendido uma destruição sistemática baseada no modelo da Venezuela, já analisado por muitos especialistas.

            De acordo com esse modelo, começa-se por permitir uma corrupção assustadora e gastos públicos incríveis, que naturalmente têm de ser cobertos por novos impostos. Tais impostos incidem principalmente sobre a classe média por ser aquela que sempre persegue o sonho de melhorar o seu nível de vida. Ao mesmo tempo vai-se instalando uma ditadura judicial, por meio da qual os juízes dos Supremos Tribunais, sob pretexto de «interpretar a Constituição», acabam por «governar» recorrendo inclusivamente à imposição de penas de prisão para opositores políticos. Ao governo, encarregado do Poder Executivo, cabe o papel de ficar em silêncio e deixar o campo aberto para as arbitrariedades do Poder Judiciário.

            Resta o Poder Legislativo que, por ser eleito pelo voto popular, não se manipula com a mesma facilidade. Mas ainda assim a esquerda interfere no Parlamento de tal forma que as  decisões deste não têm efeito concreto. Os deputados e senadores podem votar num ou noutro sentido, mas a ditadura judicial veta as decisões «inconvenientes» sob pretexto de «defender a Constituição».

            Se em alguma eleição a oposição (ou seja, a direita) alcançar maioria em determinado distrito, o Executivo cria um poder paralelo por meio da concessão de subsídios à administração regional, anulando assim a vitória do adversário. Foi exactamente o que fez Chávez na Venezuela: quando perdia o controlo político de alguma região, logo criava uma administração paralela à qual fornecia as verbas necessárias para resolver problemas locais. Claro que isso é anticonstitucional, mas é aí que entra a ditadura do Judiciário ao se encarregar de «engavetar» quaisquer reclamações ou processos de contestação.

            E quanto às Forças Armadas? Desmoralizadas pela inércia ou cumplicidade dos quadros superiores, não fazem nada mesmo quando há insistentes pedidos da população para agirem, conforme se viu na anterior eleição de Lula.

A Polícia, por sua vez, não tem meios nem cobertura da Autoridade para reprimir a criminalidade cada vez mais poderosa e dominante, estando ainda por cima sujeita à propaganda desmoralizadora da esquerda, sempre pronta a defender e justificar o bandido.

 

            Ao fim de certo tempo, alguns grupos criminosos começam a controlar territórios onde a polícia e o exército deixam de entrar, como ocorreu também na Venezuela ou na Colômbia e como ocorre ainda no México. Esses territórios ocupados são como uma lepra que vai alastrando, mas ainda pior é a infiltração dos criminosos na polícia, onde conseguem importantíssimas vantagens e apoios. Posso contar o caso concreto do que ocorreu em Caracas, na casa de meu pai, onde entraram sete ladrões que roubaram tudo o que quiseram. Imediatamente o meu pai foi apresentar queixa à esquadra da polícia, mas a única coisa que fizeram foi perguntar-lhe várias vezes se ele seria capaz de reconhecer os ladrões. Ou seja, havia um risco de eles serem reconhecidos se estivessem vestidos com uniforme da polícia…

            Nas situações em que as Forças Armadas são chamadas a intervir num território ocupado, também surgem geralmente decisões judiciais e políticas condicionadas por pactos ocultos entre políticos e bandidos. Desde que estes não pressionem o governo por meio de manifestações e de outras acções, os políticos concedem-lhe impunidade para actuarem nos territórios que controlam.

            Por fim, a população deixa também de se queixar e protestar. Uma vez que não é ouvida nem ajudada, acaba por abandonar o país. A Venezuela, concretamente, perdeu cerca de sete milhões de habitantes por emigração. Isso equivale mais ou menos a 70% da população de Portugal e é mais do que perderam alguns países em guerra civil, como a Síria.

            No Brasil, se os bandos criminosos começarem a controlar o campo, o governo comunista de Lula poderá finalmente concretizar a tão almejada reforma agrária, acabar com a propriedade privada e ocupar terras sem qualquer impedimento legal. O pior é que o colapso do agro-negócio no Brasil terá gravíssimas repercussões internas e externas, pois é um dos maiores exportadores mundiais de bens alimentares.

            Salvo enérgica reacção, com sólido fundamento religioso e moral, dificilmente escapará o Brasil de um desastre completo.

            Alguém dirá que o panorama aqui descrito é demasiadamente pessimista. Bem gostaria de estar enganado! Se por alguma intervenção da Santíssima Virgem, o Brasil não cair na desgraça que aqui antevejo, serei certamente o primeiro a ir rezar a seus pés para lhe agradecer a misericórdia.

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