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Gambetti deixa atrás de si uma Basílica de São Pedro ecológica e dessacralizada

07 de Outubro de 2026

La Nuova Bussola Quotidiana

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Gambetti deixa atrás de si uma Basílica de São Pedro ecológica e dessacralizada

Andrea Zambrano

 

Sob a gestão de Gambetti, a Basílica de São Pedro ambicionou neutralidade climática com elevada eficiência energética, mas perdeu sacralidade ao ceder a uma musealização caótica e desrespeitosa, acompanhada de profanações de turistas e distracção dos fiéis.

 

 

A substituição do cardeal Mauro Gambetti na direcção da Basílica de São Pedro, como Arcipreste, só fará sentido pleno se o seu sucessor não prosseguir o caminho trilhado durante o seu quinquénio. Cinco anos bastaram para alterar um equilíbrio que hoje mostra todo o seu fracasso na percepção da Igreja Pontifícia. Apenas cinco anos, sobretudo se tudo for atribuído à reforma dos estatutos do Cabido de São Pedro, que contribuiu para desvirtuar esta preciosa instituição, indispensável para garantir o decoro e a dignidade da Basílica mais importante da Igreja Católica.

 

Por este motivo, se o nome que o Papa Leão XIV tem em mente não imprimir uma mudança na gestão do cabido, a nomeação do engenheiro franciscano [Cardeal Gambetti] para bispo de Chieti estará destinada a ser uma oportunidade perdida.

 

Porque, sob a gestão de Gambetti, houve uma aceleração das mudanças que é sentida por quem frequenta diariamente a colunata de Bernini e que também tem repercussões na própria percepção dos fiéis sobre a Basílica.

 

A questão, conforme foi dito, é a revisão dos estatutos capitulares que reduziram o número de cónegos a algumas dezenas, humilhando-os na sua antiga função, que era a de cuidar da liturgia e do funcionamento da Fábrica de São Pedro, e substituindo-os às vezes por parvenus incapazes de perceber o peso da tarefa.

 

Conhecido pelo célebre e controverso bistrô nos telhados de São Pedro, que foi concluído (mas ainda não inaugurado) no passado mês de Setembro, Gambetti deixou o seu nome associado a uma gestão da Basílica que, segundo alguns, reflecte os aspectos capitais da ideologia bergogliana. Reduziu a «vida» dos cónegos a 5 anos apenas, forçando-os a reformar-se aos 80 anos, retirou os assentos dos cónegos da área do presbitério – um gesto que alguns monsenhores da Cúria chegaram mesmo a qualificar de «vulgar» – impôs um limite máximo ao salário dos cónegos de 1800 euros e também à sua pensão. E, sobretudo, sujeitou o Cabido de São Pedro à Fábrica de São Pedro, empobrecendo efectivamente o seu serviço.

 

Esta actividade de desvio pastoral bastante arbitrária teve repercussões na vida litúrgica da Basílica e, em consequência, na própria sensibilidade dos fiéis e na percepção dos turistas que hoje têm dificuldade em sentir o sagrado no interior da Basílica, em benefício da sua musealização.

 

Assim, para haver enquadramento na revisão do Papa Leão XIV, é preciso ter a coragem de revogar os estatutos que também são ad experimentum e, pelo menos, restabelecer a validade dos estatutos de S.S. João Paulo II. Não por apego ao passado, mas por necessidade.

 

Com efeito, sob a direcção de Gambetti, as Missas na Basílica foram consideravelmente reduzidas e, sobretudo, foram canceladas as celebrações privadas nas capelas laterais, que tinham o grande mérito de conferir à Basílica, desde o início da manhã, uma aura de autêntica sacralidade, hoje perdida.

 

Gambetti, não conhecendo o latim, simplesmente aboliu as celebrações em latim. E, como documentámos na reportagem (https://lanuovabq.it/it/una-mattina-in-san-pietro-tra-visitatori-distratti-e-il-sacro-svanito, 10/3/2026) que escrevemos na Primavera passada sobre o dia passado em São Pedro, a criação de uma fila dedicada aos fiéis que entram na igreja apenas para rezar provoca um curto-circuito que, a longo prazo, põe em evidência uma grande «operação de supermercado»: uma fila praticamente sempre vazia e, atrás dela, o burburinho dos turistas.

 

Turistas que, como também referimos na nossa reportagem, depois de atravessarem os portões da Basílica, assumem todos os comportamentos possíveis, excepto aquele que é próprio de um local de culto. Relatámos, nessa reportagem, que ninguém, ao entrar, fazia o sinal da cruz nem sequer se ajoelhava; notámos o ir e vir de turistas a tirar selfies improváveis, fotos em pose ou a fazer chamadas telefónicas como se estivessem a passear na Via del Corso. Tudo isso reduziu a Basílica de São Pedro a um grande bazar onde se pode encontrar de tudo. Até mesmo um pouco de sagrado, que não foi abolido mas relegado apenas para quem o quiser procurar.

 

Se é verdade que durante a gestão de Gambetti foram feitas melhorias para a eficiência energética do monumento e para a sua «neutralidade» climática até 2030 (sic!), também não é menos verdade que se multiplicaram as profanações, algumas realmente ultrajantes, como a do «louco» que se pôs a urinar junto às colunas de Bernini, ou como outras menos visíveis mas não menos graves, como uma «gestão alegre» da Sagrada Comunhão nas missas mais concorridas. Até dificuldades foram interpostas ao acto de reparação que se impôs à realização de tal iniciativa. 

 

Por este motivo, devolver à Basílica de São Pedro a sua dimensão de lugar sagrado, que os turistas, mesmo os não católicos, devem aprender a respeitar, é uma das principais condições para dar dignidade a uma igreja que é muito mais do que um monumento, mas que hoje reflecte como um espelho a terrível crise da falta de sacralidade que a Igreja vive em muitas das suas dinâmicas. Para o fazer, é preciso ter a coragem de restabelecer o decoro e o respeito pelo local, o que mesmo um arcipreste com mandato claro só pode conseguir com esforço e boa vontade. Porque a liturgia, diria o «Papa Pio XIII de Sorrentino» (*), deve voltar a ser um trabalho árduo. 

 

(*) «Pio XIII de Sorrentino» é personagem fictícia retirada de uma peça teatral.

 

Fonte: La Nuova Bussola Quotidiana, 6 de Outubro de 2026

 

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