O padre jesuíta Thomas Reese, ex-editor da revista America, revela o seu ódio pelo rito tradicional da Missa Católica no artigo que escreveu no Religious New Service, em 25 de Agosto. O título diz tudo: «Porque odeio a antiga Missa em latim: uma confissão». [i]
Em estilo satírico, que pretende ser jocoso e irónico, o Pe. Reese mostra os seus pensamentos íntimos, colocando as suas ideias na boca do penitente imaginário, fazendo assim a sua confissão:
«A antiga missa em latim é como um zombie. Quando passámos do latim para o inglês em 1964, pensámos que estava morta, mas continua a voltar. Pensámos que desapareceria ou que as pessoas ficariam satisfeitas em ir a uma versão da nova liturgia em latim. Não foi assim.»
Ódio à Missa Tradicional, mas não às missas com paganismo
Para quem conhece o Pe. Reese, não surpreende que não manifeste ódio pelos abusos que frequentemente ocorrem na nova missa pós-conciliar. Nesta, por exemplo, a liturgia católica é misturada com ritos pagãos, como o candomblé [ii] – uma espécie de vudu brasileiro e com danças pagãs [iii]. Ou então usa-se a missa para fazer propaganda do movimento homossexual, como «A Missa para a Comunidade LGBTQ+». Desta última fez-se uma celebração na igreja de Santo Inácio dos Jesuítas, em Nova Iorque, com dançarinos a usar símbolos homossexuais. [iv]
Na verdade, a sua simpatia pela homossexualidade é notória. Por exemplo, em 2005, o Pe. Reese foi entrevistado pelo New York Times, expressando assim a sua opinião: «Com a escassez de padres, a Igreja dificilmente pode dispensar seminaristas gays.» Na mesma linha e em entrevista de 2010, afirmou: «Pessoalmente, acho que a batalha da Igreja contra a legalização do casamento gay é desadequada. Não faz sentido a ideia de que o casamento gay é de alguma forma uma ameaça à vida familiar ou ao casamento heterossexual.» [v]
Tais aberrações não as considera ele como abusos, mas como inovações em consonância com o «ecumenismo», com o «diálogo religioso» e com a «abertura ao mundo» recomendados pelo Concílio Vaticano II.
O ódio de Lutero à Missa católica
A Missa tradicional, celebrada pelos santos ao longo dos séculos, inspirou o ódio de muitos hereges. Por exemplo, Lutero, na sua própria linguagem vulgar, escreveu sobre a Missa:
«Sim, eu digo-o: todos os bordéis, que Deus condenou severamente, todos os homicídios, assassinatos, roubos e adultérios são ainda assim menos prejudiciais do que a abominação da missa papista.» [vi]
Porquê este ódio à Missa Católica?
Porque, de acordo com as suas teorias, Lutero pensava que o pecado original tinha corrompido completamente o homem, de modo que todos os seus actos eram maus. A única excepção seria o acto de fé, que para ele se resumia a um acto de confiança de que já estamos salvos, sem a necessidade de boas obras. [vii]
Consequentemente, para Lutero, era absurda a celebração de um sacrifício propiciatório, ou seja, um sacrifício oferecido a Deus para nos ser propício, para nos ajudar com as Suas graças. Pelo contrário, ele aconselhava que pecássemos para provar a nossa confiança na salvação por Cristo. Em 1521, Martinho Lutero chegou a dar estes conselho a Melanchton: «Peca com ousadia. Mas crê ainda mais ousadamente em Cristo e alegra-te.» [viii]
No panfleto «O Cativeiro Babilónico da Igreja», o heresiarca apresentou o sacrifício da Missa como um dos «cativeiros» da Igreja:
«O terceiro cativeiro deste sacramento [do Altar] é o abuso mais perverso de todos, em consequência do qual não há hoje opinião mais geralmente aceite e firmemente acreditada na Igreja do que esta: que a missa é uma boa obra e um sacrifício.» [ix]
Por esta razão, Lutero «manteve a primeira parte da Missa, mas aboliu o Ofertório, o Cânone e todas as formas de sacrifício.» [x]
Concílio de Trento: Sacrifício Propiciatório
Contra estes erros, o Concílio de Trento condenou a seguinte proposição:
«CÂNONE III – «Se alguém disser que o sacrifício da Missa é apenas um sacrifício de louvor e de acção de graças ou mera recordação do sacrifício consumado na cruz, mas que não é sacrifício propiciatório; ou que apenas aproveita a quem o recebe, e que não deve ser oferecido pelos vivos e pelos mortos pelos pecados, penas, satisfações e outras necessidades: seja anátema (excomungado).» [xi]
O Ensino de Lutero inspirou o Pe. Reese?
O ódio do Pe. Reese pela Missa tradicional decorre do mesmo ódio luterano pelo sacrifício propiciatório?
Ele recusa-se a entrar numa análise teológica, e a razão que apresenta para o seu ódio é que a Missa continua a atrair os fiéis. Ele não o diz, mas, acima de tudo, atrai os jovens.
Não ocorre ao Pe. Reese que o amor pela Missa tradicional possa ser fruto da graça. A sua visão da Igreja é política e ideológica. Há pouco espaço para o sobrenatural. Este é o resultado da dessacralização da Igreja e da vida religiosa, da abertura ao mundo...
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Sobre a Missa Novus Ordo, ver, por exemplo: Arnaldo Xavier da Silveira, Two Timely Issues – The New Mass and the Possibility of a Heretical Pope [Duas questões actuais: A Missa Nova e a possibilidade de um Papa herético], The Foundation for a Christian Civilization, Inc., Spring Grove, 2022; Monsenhor Klaus Gamber, The Reform of the Roman Liturgy – Its Problems and Background [A reforma da Liturgia Romana – Os seus problemas e antecedentes], Roman Catholic Books, Fort Collins, CO, s/d; Claude Barthe, La Messe de Vatican II – Dossier Historique, Via Romana, Versalhes, 2018.
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Notas:
[i] Thomas Reese, Why I hate the old Latin Mass: A confession [Por que odeio a Missa Tradicional em Latim: Uma confissão], https://religionnews.com/2026/08/25/why-i-hate-the-old-latin-mass/
[ii] Missa com batuques de candomblé na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Pelourinho – Salvador, Bahia, Brasil: https://www.youtube.com/shorts/xmCWNaA_Swo
[iii] Dança azteca pagã numa missa: https://www.youtube.com/shorts/6HAFCn82TcU
Dança pagã numa missa: https://www.youtube.com/watch?v=gpJzE-7GBjU
Danças numa missa com a presença de bispo, em Moçambique
https://www.youtube.com/watch?v=4ivQ8tQdysE&list=RD4ivQ8tQdysE&start_radio=1
«Missa» em «Rito Zairense»: https://www.youtube.com/shorts/Rs3Yg3RfZFI
O «Rito Zairense» é uma «liturgia católica» congolesa que combina tradições africanas.
[iv] e [v]«All Hearts Together: A Mass for the LGBTQ+ Community»
[Todos os corações unidos: Missa para a comunidade LGBTQ+], 2 de Dezembro de 2024, das 19h00 às 21h00. Celebrante: Pe. Bryan Massingale: «Junte-se a nós para uma missa especial em comemoração do Dia Mundial da SIDA. Vamos unir-nos em fé e solidariedade, apoiando a comunidade LGBTQ+ e todos os afectados pelo VIH/SIDA»:
https://ignatius.nyc/event/all-hearts-together-a-mass-for-the-lgbtq-community/;
https://www.youtube.com/shorts/Lacn-Iun37A
[vi] Werke, t. XV, p. 774, 18, apud Dictionnaires de Théologie Catholique, J. Paquier, Luther, col. 1170.
[vii] Ver McHugh, John. “Lutheranism.” The Catholic Encyclopedia. Vol. 9. New York: Robert Appleton Company, 1910: https://www.newadvent.org/cathen/09458a.htm
[viii] Fred Sanders «Sin Boldly!» [Peca com ousadia!]: https://scriptoriumdaily.com/sin-boldly/
[ix] Martinho Lutero, The Babylonian Captivity of the Church - A prelude 1520 Jesus [O Cativeiro Babilónico da Igreja - Um prelúdio 1520 Jesus]:
https://www.lutherdansk.dk/Web-babylonian%20Captivitate/Martin%20Luther.htm#_Toc58730606, n. 2.37.
[x] Ver McHugh, Lutheranism, op. cit.
[xi] Concílio de Trento – Décima-segunda sessão:
https://www.papalencyclicals.net/councils/trent/twenty-second-session.htm
Fonte: Luiz Solimeo substack, 3 de Setembro de 2026