Ajude o site Cristãos Atrevimentos com qualquer valor

Quero Doar

Simão Pedro de Aguiã

01 de Setembro de 2026

António Carlos de Azeredo

António Carlos de Azeredo

Simão Pedro de Aguiã

Simão Pedro De Aguiã

Soldado da Padroeira

 

Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do súbito falecimento, no passado dia 18 de Agosto, do nosso associado e grande amigo Simão Pedro de Aguiã.

Era, desde muito novo, o senhor da Casa e Torre de Aguiã, vetusto solar da sua família. Os Aguiãs entraram na História de Portugal há mais de 700 anos... Desde então, sulcaram os séculos, resistentes como a rocha do seu apelido..., ou aquela outra sobre a qual se ergue altaneira a velha torre solarenga. Soldados a defender fronteiras, cavaleiros de Malta a lutar contra os turcos no Mediterrâneo, e ainda fidalgos cavaleiros da Casa Real. Encheram páginas da História com as façanhas de sacerdotes e militares de renome.

Inspirado pelo exemplo dos seus antepassados, e tendo em vista a defesa dos valores fundamentais da Civilização Cristã, em 1973, quando frequentava o 2º ano do curso de Direito na Universidade de Coimbra (licenciou-se mais tarde em História do Património, pela Universidade Portucalense), fundou com outros colegas o Centro Cultural Reconquista. Esta associação tornar-se-ia uma das muitas entidades co-irmãs e autónomas da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição Família e Propriedade (TFP), fundada em 1960 por Plinio Corrêa de Oliveira, no Brasil.

A publicação de diversos manifestos a favor da defesa do Ultramar Português contra as infames pretensões do Imperialismo Soviético e a cobiça das riquezas desses territórios por agentes do grande capital, levou-o a percorrer então, juntamente com outros colegas, todo o território nacional, numa campanha triunfal, a distribuir folhetos às portas das universidades e liceus, com grande repercussão entre os estudantes, e na imprensa de Angola e Moçambique.

Estas actividades, que estiveram na origem de um forte núcleo de jovens católicos e contra-revolucionários, deu azo a uma brutal perseguição comunista, após a “Revolução dos Cravos”, alegadamente por serem «piores que os fascistas», para usar as palavras de um agente comunista, na prisão de um dos seus colegas. Viu-se obrigado a emigrar para Espanha, onde se associou ao combativo grupo de jovens católicos denominado Sociedad Cultural Covadonga. Empreendeu, então, uma incansável actividade apostólica, contribuindo para a fundação de núcleos dessa associação em diversas cidades do país vizinho, e participando em numerosas e memoráveis campanhas de rua realizadas em todo o território espanhol.

Algum tempo depois, parte para Itália, onde é um dos fundadores e directores do Ufficio Tradizione Famiglia Proprietà, na Cidade Eterna. Este organismo, representante de diversas TFPs e associações afins, visava a distribuição à imprensa internacional e mais especificamente à romana, de informações relativas às múltiplas actividades das ditas TFPs, e mais especialmente o estabelecimento de relações com meios afins aos seus ideais. Era também um escopo do Ufficio o estabelecimento de relações com os meios eclesiásticos. Destacou-se Simão Pedro de Aguiã nas actividades do Ufficio, quando se reuniram os Conclaves que elegeriam sucessivamente, num curto espaço de tempo, João Paulo I e João Paulo II, ajudando à difusão, até mesmo entre os Cardeais que participariam nos Conclaves, de três artigos históricos de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira, o qual, como pensador católico e anticomunista de renome internacional, não podia deixar de oferecer o seu contributo para a compreensão daquele grande momento histórico.

Da Itália rumou Simão Pedro para o Brasil, onde colaborou na formação de jovens católicos, sobretudo no Rio de Janeiro, mantendo numerosos contactos com a grande colónia portuguesa; participou ainda em muitas das actividades desenvolvidas pela Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFP, particularmente em diversas campanhas contra o socialismo e o agro-reformismo confiscatório, promovidos pela chamada “esquerda católica”, afim à Teologia da Libertação, bem como contra a insidiosa “Revolução Cultural”, destinada a destruir completamente os pilares da Civilização Cristã, pelos métodos de ideólogos comunistas, tais como Antonio Gramsci, André Gorz, Alain Touraine e outros.

Ainda no Brasil, e como monárquico convicto, foi membro activo do Secretariado da Casa Imperial do Brasil, a serviço do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, então Chefe da Casa.

Regressando a Portugal, em finais da década de 80, vai empreender uma série de actividades em prol da Contra-Revolução, ao mesmo tempo que passa a dedicar-se mais proximamente à preservação do património histórico da sua família, levando a cabo, com escassos recursos, o restauro de partes importantes da velha Casa de Aguiã e um intenso programa de plantação de vinhas, com o apoio do enólogo Eng. João Garrido, que lhe permitiu ganhar diversas medalhas de ouro como produtor do famoso Aguião e do Torre de Aguiã, ambos da casta do tinto vinhão.

Simão Pedro de Aguiã também se dedicará com afinco à difusão, em boa parte do País, de importantes obras católicas. Por ocasião dos 75 anos das aparições de Fátima, participa com enorme entusiasmo na difusão de muitos milhares de exemplares do livro As aparições e a mensagem de Fátima, segundo os manuscritos da Irmã Lúcia, de Antonio Augusto Borelli Machado, com imprimatur da Diocese de Braga.

Já nos anos 90, participará ainda na difusão da obra Nobreza e elites tradicionais análogas, nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza Romana, de Plinio Corrêa de Oliveira, que terá grande repercussão em Portugal, país onde esta obra teve a sua primeira edição. Simão Pedro já tinha colaborado com os seus dotes de pesquisador na obtenção de documentação para a elaboração deste livro, que contou com o apoio de conhecidas personalidades, entre elas quatro cardeais.

No ano de 1989, quando a pequena Lituânia proclamou unilateralmente a sua independência, as TFPs e sociedades afins saíram às ruas de países do mundo inteiro, para colectar mais de cinco milhões de assinaturas, que foram entregues pessoalmente no Kremlin, pedindo a libertação da valorosa nação lituana das garras do imperialismo soviético, o que veio a suceder pouco depois. Simão Pedro participou em Portugal, de Norte a Sul, deste que foi, na época, o maior abaixo assinado da História (entrou para o Guiness Book of Records) e que contribuiu decisivamente para desencadear a independência dos outros países bálticos e de muitos outros, até então subjugados pela União Soviética.

Por fim, podemos afirmar que Simão Pedro de Aguiã foi um verdadeiro paladino da Imaculada Conceição. Em Maio de 1996, para celebrar os 350 anos da Coroação da Imaculada Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal, ele foi a alma propulsora duma gigantesca campanha, no decurso da qual percorreu, juntamente com outros amigos, todo o território continental e insular difundindo o livro “Nossa Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal”. Esta gloriosa campanha alcançou a difusão de cerca de 330 mil exemplares desta obra. Na sua incansável actividade apostólica, ingressou na Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, tornando-se mais tarde vice-juiz da mesma e também da Confraria dos Escravos de Nossa Senhora da Conceição. Nessa condição, escreveu o livro, Manual do Peregrino de Vila Viçosa, prefaciado pelo Arcebispo de Évora, D. Maurílio de Gouveia, que viu nele «com imensa alegria», um «valioso instrumento de orientação espiritual e cultural, colocado nas mãos dos peregrinos». Verdadeiro best-seller, foi divulgado em todo o País, contribuindo muito para ampliar o conhecimento do Santuário da Padroeira e Rainha de Portugal. Visitou então muitas centenas de paróquias com esse objectivo, em todos os distritos, divulgando milhares de exemplares dessa obra, além de diversos medalhões comemorativos que também mandou executar.

Foi ainda, no ano de 2020, sócio fundador do Instituto Português de Estudos Contemporâneos, com sede em Coimbra, destinado à defesa dos princípios fundamentais da Civilização Cristã.

 

Donativos