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A dança macabra do número de mortos no terramoto na Venezuela

02 de Julho de 2026

Valdis Grinsteins

Valdis Grinsteins

A dança macabra do número de mortos no terramoto na Venezuela

Uma semana após o duplo terramoto quase simultâneo que atingiu a Venezuela, o número oficial de mortos é de 1943 pessoas, nesta primeira semana de Julho. Mas este número está muito longe da realidade, porque a grande maioria dos edifícios que ruíram em segundos ainda não foi inspeccionada ou está apenas a ser socorrida sem a ajuda de equipamento pesado para remover toneladas de betão, vigas, tijolos e outros materiais que caíram e encarceraram as vítimas.

 

Foi criado um site para que as pessoas possam registar os nomes dos desaparecidos. O número destes já vai em 56 000. Alguns foram localizados com vida em hospitais, outros confirmados como mortos, mas ainda há 40 000 cujo paradeiro é desconhecido, e tudo leva a temer que estejam sob os escombros.

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O que me chama a atenção é que qualquer pessoa que tenha familiares ou conhecidos na Venezuela sabe que o número de mortos nunca poderá ser inferior a 20 000, o que é uma tragédia. Os jornais, as televisões e os outros meios de comunicação também devem saber disso, até porque têm repórteres no local. Perante uma catástrofe de tal dimensão, qual é então o motivo para dizerem inicialmente que houve apenas 100 mortos, para aumentarem depois para 150 e assim irem subindo gradualmente até chegarem quase aos dois mil que agora já admitem? Será apenas pelo receio de divergir dos números apresentados pelo governo?

 

Não é a primeira vez que os meios de comunicação fazem isto. Quando ocorreu, em 2004, o tsunami na Indonésia e noutros países da região, morreram cerca de 250 000 pessoas. A primeira notícia dizia que havia 1 000 mortos; no dia seguinte, já eram cerca de 1 500; no terceiro dia, quando já se sabia que o número deveria ser superior a 100 000, os jornais insistiam que eram 3 000, contrariando os relatos dos sobreviventes. Qual era a razão para este «negacionismo»?

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Há quem diga que é para evitar o pânico. Se dissessem imediatamente que havia mais de 100 000 mortos, para muita gente viria logo ao espírito a ideia de castigo, principalmente para quem professasse alguma fé cristã, mas também para quem assistisse «de fora» a tamanha desgraça. Muitas pessoas, com efeito, têm enormes problemas de consciência por terem a noção de estar a viver em situações moralmente irregulares, por exercerem actividades ilícitas, corruptas ou criminosas, qualquer que seja a sua religião. E como querem continuar assim, como querem continuar a pecar sem arcar com as consequências, preferem nem pensar que o castigo existe e que pode recair sobre elas.

 

Para piorar a situação, o que fazem os meios de comunicação é um pecado contra a caridade. Se uma pessoa vive em estado de pecado e fica a saber que muitas outras foram subitamente vitimadas por uma desgraça, essa pessoa pode ter um sobressalto que a leve a pensar em castigo, que a faça reflectir e mudar de vida.

 

Quando ocorreu um enorme terramoto na Cidade do México, em 1985, com milhares de mortos, isso trouxe inesperadamente, como consequência, um aumento enorme do número de casamentos, pois muitas pessoas que viviam em uniões irregulares, reflectiram sobre a sua situação e decidiram colocar em ordem as suas consciências, casando pela Igreja.

 

Será que os meios de comunicação utilizam esse sistema de «negacionismo» do número de vítimas para impedir que as pessoas se emendem e se convertam? Será realmente esta a sua motivação? Deixo aqui a pergunta para que cada um pense em alguma explicação para tão persistente «coincidência»…

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