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A Igreja perseguida na China: de Mao a Xi Jinping

25 de Maio de 2026

Roberto de Mattei

Roberto de Mattei

A Igreja perseguida na China: de Mao a Xi Jinping

Durante a sua viagem à China, o presidente norte-americano, Donald Trump, abordou com o presidente comunista chinês, Xi Jinping, a questão de Jimmy Lai, detido desde 2020 numa prisão de Hong Kong. Trump descreveu assim o resultado da conversa: «Diria que a resposta não foi positiva. Ele comentou que tinha sido uma espécie de pesadelo para ele». Mas quem é Jimmy Lai?


            Jimmy Lai, pseudónimo de Chee-Ying Lai, nasceu em Cantão em 1947 numa família muito pobre e conheceu desde a infância as privações e a violência da China comunista. Ainda adolescente, conseguiu fugir clandestinamente para Hong Kong, então colónia britânica, onde começou a trabalhar como operário têxtil. Graças a uma extraordinária capacidade empreendedora, construiu em poucas décadas um verdadeiro império económico no sector do vestuário e da imprensa, tornando-se um dos homens mais conhecidos da cidade. Tendo-se convertido ao catolicismo, Jimmy Lai foi amadurecendo progressivamente a convicção de que a liberdade económica deveria ser acompanhada da liberdade política e religiosa. Por esta razão, colocou a sua riqueza, a sua influência e os seus jornais ao serviço da defesa das liberdades civis de Hong Kong, ameaçadas pela expansão controladora do regime comunista chinês.

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Após a imposição da lei de segurança nacional pela China, Lai tornou-se um dos símbolos da resistência democrática de Hong Kong. Detido várias vezes pela polícia local, agora estritamente subordinada ao poder de Pequim, foi sujeito a julgamentos cada vez mais severos e a restrições crescentes à sua liberdade pessoal. Apesar da idade avançada e da possibilidade de ter que deixar o país, recusou-se a abandonar Hong Kong, optando por partilhar o destino do seu povo. Em Fevereiro de 2026, foi condenado a vinte anos de prisão por «sedição» e «conspiração» contra o regime comunista.

 

A sua história insere-se na longa senda de perseguições na China, iniciada logo que o regime maoísta conquistou o poder em 1949, impondo um controlo total sobre a sociedade através do terror ideológico e da repressão. No caso do catolicismo, o principal problema para o regime era a fidelidade ao Papa, considerada incompatível com a soberania ideológica do Estado socialista. Por isso, na década de 1950, Pequim criou a «Associação Patriótica» chinesa, uma estrutura controlada pelo Partido e destinada a construir uma Igreja «independente» de Roma. Os bispos e os padres que se recusaram a aderir à nova organização foram acusados de serem «contrarrevolucionários» ou «agentes imperialistas». Muitos acabaram, sem julgamento, nos laogai, os campos de trabalhos forçados do sistema repressivo chinês.

 

Entre as figuras emblemáticas da perseguição encontra-se Ignatius Kung Pin-mei, bispo de Xangai, detido em 1955 juntamente com centenas de sacerdotes e fiéis. Passou mais de trinta anos entre a prisão e o isolamento por se ter recusado a romper a comunhão com o Papa. Outra figura emblemática foi Fan Xueyan, bispo clandestino de Baoding, detido repetidamente e falecido em 1992 em circunstâncias nunca esclarecidas, após anos de tortura e detenção.

 

Gerolamo Fazzini, no seu Livro Vermelho dos Mártires Chineses (Edizioni San Paolo, 2006), reúne o testemunho de quatro católicos exemplares: Gaetano Pollio, arcebispo de Kaifeng, detido e enviado para trabalhos forçados durante seis meses; Domenico Tang, jesuíta, arcebispo de Cantão, detido durante 22 anos, dado como morto até pela sua própria família; padre Leone Chan, quatro anos e meio de prisão, um dos primeiros sacerdotes a dar a conhecer no Ocidente o pesadelo comunista chinês por ter conseguido fugir em 1962; Giovanni Liao Shouji, jovem catequista chinês, também internado por mais de 22 anos nos laogai. Condenados em processos farsescos com base em crimes nunca cometidos, foram submetidos a torturas e humilhações de todo o tipo, enquanto na Europa, nos anos 60 – observa Fazzini – o maoísmo era propagado como a «face boa» do comunismo, recrutando simpatizantes até mesmo no seio da Igreja Católica.

 

Robert W. Greene (1911-2003), um missionário americano na China pertencente à Congregação de Maryknoll, relatou, por sua vez, o seu testemunho de fé durante a perseguição comunista na China, durante a década de 1950. Após a vitória dos comunistas de Mao Zedong, o padre Greene foi detido pelas autoridades comunistas, acusado de ser um «espião americano» e submetido a longos interrogatórios, humilhações e torturas. Permaneceu prisioneiro e chegou mesmo a ser condenado à morte e destinado à decapitação durante a perseguição anticristã de 1952, mas foi subitamente libertado e deportado para Hong Kong. Uma das imagens mais marcantes do seu cativeiro é a do sacerdote que, sem ter um rosário, usava fósforos partidos para contar as Ave-Marias na cela.

 

Após o regresso aos Estados Unidos, Robert Greene continuou a dar testemunho público da situação da Igreja perseguida na China através de conferências e escritos. A sua autobiografia, «Calvário na China. O último pároco de Tong’an», foi publicada no ano passado em italiano pela editora Ares. Num artigo no jornal «Libero» («Quando o comunismo chinês começou a conquistar o mundo», 7 de Dezembro de 2025), através dos testemunhos dramáticos do padre Greene, Antonio Socci recordou como funcionava a máquina infernal do maoísmo: crianças transformadas em delatores, famílias destruídas pela propaganda e perseguições contra cristãos e opositores. Durante décadas, milhares de cristãos sofreram detenções, torturas, trabalhos forçados e morte nos campos de reeducação. De acordo com estudos do PIME, o Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras, milhares de padres e religiosos desapareceram durante as campanhas maoístas, especialmente no período da Revolução Cultural (1966-1976), quando igrejas, mosteiros e seminários foram devastados pelos Guardas Vermelhos. Muitas das suas histórias permaneceram ocultas por causa da censura do regime, mas missionários, historiadores e testemunhas têm vindo a reconstruir progressivamente o drama da Igreja perseguida na China, que infelizmente parece ter sido esquecida pela Ostpolitik da Santa Sé, enquanto o ditador comunista Xi Jinping continua a proclamar-se discípulo de Mao Zedong.

 

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Publicado em: Corrispondenza Romana

Tradução: Cristãos Atrevimentos

 

Direitos de publicação gentilmente cedidos pelo Autor

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