Não, não pensem que lhes vou recomendar que evitem essas telenovelas sentimentais, em que Pedro ama Maria mas onde só conseguem ser felizes ao fim de duzentos episódios.
Sobre estas telenovelas deveria fazer-se todo o tipo de recomendações morais mas não é isso que aquí vamos destacar. O nosso tema de hoje trata de condenações à morte por ver telenovelas. Sim, é exactamente isso!
Com efeito, na Coreia do Norte condenam-se à morte as pessoas que se atrevem a ver as telenovelas ou séries produzidas na Coreia do Sul. Claro que não se podem ver pela Internet, que está censurada nesse país comunista. E nem pensar em antenas parabólicas, pois nem se encontram à venda. O que há é um enorme mercado negro de pens USB ou cartões SD, fáceis de esconder e gravados com cópias de telenovelas ou shows de TV sul-coreanos. Estes dispositivos circulam por todos os lados. Calcula-se que 4 em cada 5 jovens estudantes conseguem cópias desses programas sul-coreanos, escondendo-os e vendo-os nos seus dormitórios universitários ou em casa, quando os pais estão ausentes. Já são tantos e tão disseminados que a polícia secreta norte-coreana realizou recentemente um raid na principal universidade de Pyongyang onde estudam os filhos da elite comunista, detendo dezenas de estudantes que tinham em sua posse esses dispositivos de armazenamento digital. Não sabemos se algum deles foi executado, mas é certo que jovens de outras universidades ou colégios já foram fuzilados por esse «delito».
Claro que os jovens norte-coreanos são movidos pela curiosidade, própria das suas idades, e pelo facto de não poderem viajar e conhecer o que se passa fora do restrito meio em que vivem. Mas não é só por isso. Em países comunistas como a Coreia do Norte, a vida é cinzenta, fria, pobre, manipulada por mentiras e agredida por toda a espécie de absurdos. As telenovelas sul-coreanas, sejam históricas ou modernas, mostram uma realidade completamente diferente, oferecendo uma maneira de escapar à depressiva monotonia comunista e às aberrações do culto devido a um líder que é tratado como um deus. Para quem passa fome e estuda numa universidade cinzenta, sem esperança e sem liberdade, ver um programa que mostra pessoas com vidas rodeadas de conforto, que não passam fome, que não vivem sob o medo de serem presas por se expressarem livremente, que podem viajar, é como verem uma porta aberta para o céu.
Sabendo disto, havia grupos de pessoas, na Coreia do Sul, que enviavam balões para levar esses dispositivos digitais USB e SD. Empurrados pelo vento, os balões entravam na Coreia do Norte e iam cair em qualquer lugar fora da vista e do controlo da polícia. Não havia como detê-los, até que o governo da Coreia do Sul, para não ter problemas com o vizinho comunista, acabou por proibir o lançamento desses balões. Ou seja, uma traição para ajudar directamente o inimigo, em vez de tentar corroer por dentro o regime desumano de Pyongyang. E o que dizem sobre isso os chamados defensores dos «direitos humanos»?… Duas coisitas para disfarçar mas nem uma palavra sobre o absurdo dos fuzilamentos como punição para quem vê telenovelas. Ou seja, essas «reclamações» dos defensores dos «direitos humanos» só dizem uma pequena parte da verdade, subscrevem a censura dos comunistas e sempre acabam por ajudá-los, pois desviam as atenções dos crimes que eles cometem.